Valorização do Profissional de Departamento Pessoal

 

Uma profissão tão antiga, ou mais, do que aquelas apresentadas pós-CLT  – Consolidação das Leis Trabalhistas – e ao mesmo tempo ainda não devidamente valorizada: este é o profissional do Departamento Pessoal.

O fato é que a área de Departamento Pessoal em muitas das vezes é apenas parte de um todo maior, sendo um setor acessório, do Departamento de Recursos Humanos.

Em minha modesta opinião, era para ser diferente: o “DP” deveria ser um setor independente, ou de suporte diretamente a Diretoria.

Vejamos:

Cronologia do RH

  • Década de 30: RH – Constituído por donos de empresas – “Manda quem pode, obedece quem tem Juízo”; muitas vezes expressão infelizmente hoje ainda utilizada por alguns empresários, do qual não fazem da tão importância como é o fator humano dentro de uma organização.
  • Década de 40: RH – Constituído por advogados – Especialistas em entender a Legislação, muitas vezes para não cumpri-las, principalmente com a chegada da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas;
  • Década de 50: RH – Constituído por engenheiros – Fase de industrialização do País, onde o RH se resume a estudo de tempo e movimento. Para as empresas o setor de  Recursos Humanos não são pessoas mas sim processos;
  • Década de 60: RH – Filosofia “Paz e Amor” dos hippies – década perdida: Transformou-se o País em “Paz dos sindicatos e amor da polícia” Empresas descobrir o trabalho em equipe, e não fazem RH pensando em si, mas principalmente Sindicato Patronal e Sindicato dos empregados.
  • Década de 70 – RH – Constituído por Administradores de empresas – Eles mediam o próprio poder pelo tamanho da estrutura que tinham que gerenciar, organogramas imensos e inchados.
  • Década de 80 – RH – Constituído por Psicólogos: Descobridor das pessoas, porém incapaz de lidar com processos, Leis e Sindicatos ao mesmo tempo.
  • Década de 90 – RH – Novas ideias e contradições – RH Mocinho X RH Bandido -Décadas das fusões e aquisições, terceirizações. Os profissionais de RH buscam muitas vezes equivocamente metodologias para integrar pessoas, aliviar o stress, testar os limites e abrir cada ser humano por completo diante de seus colegas.
  • 1a. Década do Século XXI – Pensar o RH como agente e não mais como executor. Passa a fazer parte do protagonismo, e não mais de maneira acessória, nas decisões das empresas.

Fonte: Juliana Ricci

E o Departamento Pessoal onde fica nessa história?

Alguns entendem que o Departamento Pessoal é uma área muito burocrática, e preferem se afastar, alguns têm a visão de um chefe de Departamento Pessoal carrancudo por detrás de uma mesa com amontoado de papeis.

Eis que,

Verificando a cronologia acima, fico pensando: onde eu me encaixo?

Comecei jovem minha carreira, com 14 anos de idade, fui contratado para trabalhar em um escritório contábil, como office-boy, e com 3 meses fui promovido a Arquivista. Que maravilha! No setor ser arquivo foi onde comecei a  ter o primeiro contato com Guias do INSS,FGTS,  com Folha de Pagamento, Recibos, e como se isso não bastasse, em menos de 01 ano lá estava eu trabalhando na área de Departamento Pessoal, digamos amor a primeira vista, isso na distante década de 80.

A partir daí, com vivência de 04 anos na área de Departamento Pessoal, já conhecendo com segurança todos os trâmites legais, admito que ter trabalhado em um escritório contábil, foi uma excelente base de aprendizagem. A partir desse momento mesmo em idade militar, consegui entrar em uma grande empresa de transportes, isso tudo se passando no interior de São Paulo.

Ao ser entrevistado, à época por uma Psicóloga, para minha surpresa, nem sabia que naquela época isso era chamado de RH. Alguns parceiros do setor de departamento pessoal eram qualificados, somente para fazer um determinado serviço, enquanto que eu já sabia fazer todo o departamento pessoal de uma empresa – mas ainda assim, em virtude da segmentação dos serviços em uma grande empresa, fui contratado para fazer somente Rescisões Contratuais – isso ainda com base na cronologia dos anos 70.

Para minha surpresa, constatei que muitos dos colegas de trabalho, mesmo oriundos da cidade grande, se surpreendiam ao ver que eu conhecia todos os processos do departamento pessoal. Eles diziam que com este conhecimento, na grande cidade eu seria bem remunerado. Fiquei com aquilo na cabeça, será verdade ou será ilusão?

Enfim, na década de 90 resolvi partir para a capital, em busca de novos conhecimentos, aperfeiçoamento e reconhecimento. Eis que ainda jovem, ainda que com profundos conhecimentos na área, porém sem uma faculdade, nível superior passava a ser fundamental nas contratações, encontrei certa dificuldade em colocação profissional.

Lembro que ao ser indicado por uma agência de emprego, por ter os requisitos que uma empresa precisava, experiência e vontade, porém fiquei na 2ª pergunta: a primeira era qual o meu nome, e a 2ª, se eu trabalhava sob pressão – na época do interior nem sabia qual era o significado de trabalhar sob pressão, e foi um espanto até para a empresa que me recrutou.

Hoje me questiono: cadê o reconhecimento do profissional de Departamento Pessoal? Muito se fala em Recursos Humanos, mas muito pouco sobre o profissional do DP. Este profissional, no meu entendimento, se curvou diante do modismo e se calou por anos, sem ter seu devido reconhecimento.

Mas na prática sabemos que especialmente em pequenas empresas, é o profissional de Departamento Pessoal, que por muitas vezes acaba fazendo todo o trabalho de RH, sem saber que esta fazendo RH.

As faculdades hoje possuem curso tecnólogo de 02 anos, considerado nível superior,  especificamente para Administração de Recursos Humanos, e pouco, ou quase nada, se ensina sobre Departamento Pessoal.

Acredito que seja o momento de mudanças, essa profissão tem que ter o seu devido reconhecimento e valor, saber do seu papel fundamental na organização, que esse profissional não seja visto somente como custo perante a empresa, e sim como um importante aliado em demandas legais voltadas à legislação trabalhista e previdenciária – e que a todo o momento sofrem profundas mudanças. Investir melhor na capacitação desses profissionais é o mínimo que as empresas têm que fazer.

Vejo com bons olhos as mudanças que estão por vir, determinadas por uma nova era da Informação, entre Governo – Empresa – Trabalhadores, conhecido como esocial.

É uma nova obrigação, e que desde algum tempo despertou-me um misto de espanto e perplexidade… Vejo empresas buscando no mercado, profissionais com conhecimento no esocial! Como assim?

Não há que se falar em conhecimento no esocial, e sim o profissional deve ser reconhecido pela sua experiência e amplo conhecimento de Leis, procedimentos, pro atividade, pois afinal, o esocial ainda não começou, e mesmo quando venha a se iniciar, não se trata de um mero apertar de botões.

O esocial é a última etapa, que se inicia por uma empresa organizada e cumpridora das normas e obrigações legais a que está sujeita, seja pela legislação geral (CLT), seja pelas normais sindicais específicas de sua categoria.

O que vejo nos cursos sobre esocial, é o total desconhecimento das obrigações, e não somente do esocial, que é algo que a principio assusta, tanto empresários ou quem quer que venha a ser usuário do sistema, o próprio profissional do Departamento Pessoal, além de outras áreas envolvidas como Medicina e Segurança do Trabalho.

Portanto penso que, as empresas em geral,  não deve procurar por “especialistas em eSocial”, mas sim, profissionais com conhecimentos de legislação trabalhista e previdenciária.

As empresas estão querendo profissionais qualificados, não querem se dar o trabalho de ter que investir em capacitação, e quanto a isso os profissionais de Departamento Pessoal acaba tendo que “arcar” com alguns custos para se profissionalizar e não perder oportunidades de trabalho.

Portanto, cabe ao profissional de Departamento pessoal começar se movimentar, e fazer com que seja reconhecido e respeitado e que seu papel passe a ser estratégico na empresa, e não meramente um custo. Aliás, quem sabe as Faculdades possam auxiliar neste processo de dar maior valor, e visibilidade a essa profissão. Por que não os cursos de tecnólogos em Departamento Pessoal,  sabemos que algumas Faculdades estão com vagas para Pós Graduação em Departamento Pessoal, porém diante da demanda ainda é muito pouco a ser oferecido para este tão carente setor.

Hamilton Marin

Hamilton@portalhmarin.com.br

E-book Exclusivo para inciantes no Departamento Pessoal

admin

Website:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *